A CANTORA CARECA: A GRANDE METÁFORA DA CONDIÇÃO MISERÁVEL DO SER HUMANO
Não é absurdo uma cantora careca, Cantoras não precisam de tranças... precisam de voz... o absurdo é a voz que permite a purgação dos absurdos.
Se levarmos em consideração que uma das características do Teatro do Absurdo, estética que se constitui de elementos de um período diferenciado, permeado de situações no pós-guerra, onde há uma total falta de perspectivas, respostas e expectativas, onde o ser humano se percebe e toma consciência de sua condição humana de ser misérrimo, é compreensível a criação de uma arte onde o acontecimento de situações inusitadas, ilógicas, como acontece já nas primeiras páginas da obra A CANTORA CARECA de Èugene Ionesco, adquira um espaço.
Na primeira cena há uma conversa absurda entre o senhor e a senhora Smith. De todos os absurdos o que chama atenção é o fato de eles dizerem que comem bem devido ao sobrenome que têm. Ora, se pararmos para refletir, talvez não seja tão absurdo assim, pois, muitas vezes o sobrenome carrega o status financeiro do indivíduo.
Nesta realidade distorcida, as situações são apresentadas de forma inusitada, ilógica e irreal, mas, se forem analisadas de forma mais meticulosa e aprofundada pode-se perceber que possibilitam diversas e instigantes leituras que sugerem indagações que são latentes e pontuais no cotidiano das pessoas.
Nesta cena é representada a vivência de um casal fútil, que fala de coisas fúteis, possuem uma vida fútil, preocupações fúteis e, por que não dizer, relacionamentos fúteis.
Quando Ionesco aborda a família Bobby Watson, talvez queira chamar a atenção para a “mesmice” da instituição familiar, com seu modelo padronizado que parece estar invalidado para o determinado contexto no qual está inserido.
Dentro da linguagem do absurdo a personalidade dos filhos apresenta-se de forma repetitiva e de como eles são observados pelos pais, as parecenças, conforme seus vícios e virtudes.
A questão do relógio pode revelar uma desordem no tempo. Às vezes mais rápido, outras vezes mais demorado. Por um momento pesado, assustador. Afinal, o que é o tempo, senão a sensação de infinitude ou ligeireza dos acontecimentos e a correlação desta brevidade ou demora com o prazer ou desprazer do jogo existencial?
Na segunda cena podemos ter uma leitura de que a personagem Mary tem uma libido bastante “movimentada”, vai ao cinema com um homem e vê um filme com mulheres. Provavelmente a aguardente serviu para regar a companhia masculina e o leite a feminina, levando-se em consideração que estes símbolos, da maneira que são projetados, podem sugerir tal interpretação. Posteriormente, o fato de Mary comprar um penico também pode ser lido, interpretado como o que ela sente em relação aos patrões e, talvez, o que gostaria de dizer a eles, já que ela pode simbolizar uma classe oprimida.
A quarta cena talvez reflita acerca da grande metáfora da hipocrisia de casais que vivem juntos, mas que não se conhecem, ou que deixaram de se conhecer, ou que não mais se reconhecem. É como se fossem estranhos: tratam-se por “meu senhor”, “minha Senhora”. Elizabeth e Donald, com o passar do tempo, podem ter se distanciado e, de repente, o tempo passa ( a batida forte do relógio, citada na página 50 não serve somente para que os espectadores se sobressaltem, mas para que o casal “acorde” e tente resgatar o tempo perdido).
O discurso de Mary na quinta cena oferece a possibilidade para que tenha uma leitura sobre a postura dos pais depois da chegada dos filhos, ou seja, quando a família vai agregando novos membros ( os filhos ), os pais já não são mais os mesmos, a relação não é mais a mesma, o olhar em relação aos novos membros não é o mesmo. Cada um observa os filhos sob o próprio prisma. É inútil pensar que com a chegada de novos membros as coisas continuarão como estão. Donald não enxergará mais Elizabeth do mesmo jeito e Elizabeth não enxergará mais Donald da mesma forma. Eles se modificam e adquirem novas características, mas talvez não tenham feito alguns ajustes para que a situação homem e mulher, macho e fêmea não se tenha abalado. Como não sabem administrar tal situação acabam se distanciando.
Mary se autodenomina Sherlokholmes. Ao mesmo tempo que representa uma classe oprimida, é também uma espécie de consciência, de alguém ou alguma coisa que tende a fazer Elizabeth e Donald se olharem e descobrirem que não sabem quem são.
O relógio é uma constante nas cenas, ou seja, não importa o tempo que passou, o que aconteceu, o que não aconteceu, o que poderia ter acontecido e o que poderia não ter acontecido, eles sempre podem recomeçar, tudo parece cíclico, circular.
Ionesco, através da cena sete, ironiza as regras de etiqueta, a elegância, os bons modos e todas as manifestações de apreço que são rendidos a quem talvez não esteja nem interessado na alheia existência. O senhor e a senhora Smith entram com a mesma roupa e alegam para os Martim que os esperavam com ansiedade, pois até colocaram roupas de gala.
Ainda na mesma cena, versa sobre os conceitos que são abrangentes e flexíveis e que nem tudo o que parece é, ou seja, “nem sempre quando toca a campainha significa que há alguém para entrar na nossa casa” e que às vezes há alguém querendo entrar na nossa casa, na nossa vida e que, apesar da campainha, não ouvimos estas pessoas.
Observa-se também que a vida é cheia de surpresas: “ a experiência nos ensina que quando a gente ouve a campainha tocar é porque não tem ninguém”. Há que se tomar cuidado com a campainha de nossa casa, porque ela pode tocar e ser nada mais, nada menos do que NINGUÉM e podemos correr o risco de permitir que NINGUÉM entre no nosso lar, farte-se da nossa comida, do nosso vinho, da nossa alma, banhe-se da nossa água, cubra-se com nosso manto e acabe se revelando como NINGUÉM.
O Teatro do Absurdo é uma possibilidade de dizer as verdades de forma distorcida chamando a atenção para o que realmente está deformado. É preciso que crie bolinhas no nosso blusão mais bonito para que a gente perceba que a linha não era de boa qualidade. Ionesco era bom nisso...
“É quase impossível suprimir em uma lauda o tanto de não- absurdo que o absurdo pode comportar e a cantora careca todos os dias vai mudando o seu penteado toda feliz e faceira porque carecas cabeludos jamais pegam piolhos.”
domingo, 12 de dezembro de 2010
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
BLOGANDO SOBRE O FERIADÃO NA CASA DA FAMÍLIA TRAPO
Feriadäo…sem paciência para ler, resolvi fazer algo mais engraçado: visitar minha família, um dos poucos lugares onde se vê graça nas pequenas coisas. Meu sobrinho, Alison, ao contrário de mim, é extremamente educado, gentil e generoso. Sempre chega com um beijo e não me chama de tia. Desde pequeno foi sabedor de que em mim teria, antes da tia, uma grande e fiel amiga. Somos confidentes, parceiros de bicicletadas, churrascadas, fugas de moto (pois foi com ele que aprendi a andar em cavalo de motor), comilanças de madrugada, pequenos furtos (guloseimas para os netos mais novos não é bem um furto: é zelo pela saúde da geração vindoura) e muitos segredos.
Mas o Alison tem um defeito: o calcanhar de Aquiles dele é a linguagem. Nunca encontrei alguém que tivesse o dom de ser traído pela própria língua. Quando pequeno, lá pelos quatro anos de idade, se ele fazia alguma estrepolia, eu que só reservo a pedagogia aos alunos, saía correndo atrás dele dizendo que ia arrancar seu o “peruzinho”. O garoto fugia em uma corrida desabalada e eu fingia que não conseguia alcançá-lo. Natal. A mãe disse: hoje eu vou assar e rechear o peru mais cedo, para ter tempo de assistir a missa e pegou o Alison no colo e ele berrava: o meu não vovó, pega o do vovô que é maior.
Pensei que o moleque, depois de adulto, já tivesse aprendido a interpretar e articular frases com clareza, mas vejo que me enganei. Depois de comermos muito, que é algo que se faz bastante quando visitamos a matriarca, resolvemos apreciar um filme. Nem bem havia começado, faltou luz. A mãe estava no banheiro e ele, com todo o seu peculiar cavalheirismo, correu para o banheiro...VÓ, TE LIMPA COM A LANTERNA...
(Histórias bobas... sim, mas são as minhas histórias...)
sábado, 9 de outubro de 2010
BLOGANDO SOBRE NÃO SABER O QUE DIZER
QUE QUE EU FAÇO, SORA?
Nem sempre sabemos qual é o melhor conselho para socorrer um resto de honestidade e caráter solto no mundo escasso de valores.
-Quero falar com a senhora...
-Sim?
- Achei cem reais na esquina.
-Não fala pra mais ninguém. Passeia pela escola, pelo bairro e escuta. Se alguém comentar, pergunta qual o valor, se for o mesmo devolve, se não for leva pra casa e espera uma semana. Se nesse espaço de tempo ninguém falar nada, pega pra ti, mas conta para tua mãe.
Nem sempre sabemos qual é o melhor conselho para socorrer um resto de honestidade e caráter solto no mundo escasso de valores.
-Quero falar com a senhora...
-Sim?
- Achei cem reais na esquina.
-Não fala pra mais ninguém. Passeia pela escola, pelo bairro e escuta. Se alguém comentar, pergunta qual o valor, se for o mesmo devolve, se não for leva pra casa e espera uma semana. Se nesse espaço de tempo ninguém falar nada, pega pra ti, mas conta para tua mãe.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
BLOGANDO SOBRE O QUÊ E QUEM REALMENTE IMPORTA...

Esse sou eu mandando um rap legal.
EU E INDIANA ( DISSERAM QUE É MINHA SOBRINHA) E EU GOSTO MESMO DA MENINA. ELA É CARINHOSA E ATENCIOSA. É TANTO CARINHO QUE HOJE EU NÃO FAÇO QUESTÃO DE DNA. ELES QUE DECIDAM. O MEU CORAÇÃO JÁ FEZ UMA ESCOLHA. EU PREFIRO ME ENGANAR POR AMOR DO QUE ME ENGANAR POR OMISSÃO.
EU E ALISON, MEU SOBRINHO, NO SHOW DA BANDA LIBERTÉ, ONDE MURILO, MEU OUTRO SOBRINHO, É BAIXISTA
hidratação para pedalar com minha TIA
Deixei ela pra trás, mas na nossa família o que importa não é a velocidade
Quem não ama a Dagma ???
Ela não gosta de ser chamada de tia, não bebe, não fuma, não tem vícios, gosta de crianças, adora os alunos dela, me torcia o dedo e pedia pra mim pedir penico euaeah, quando eu era pequeno me assoprava na minha barriga pra mim morrer rindo e me mijar, ah, ela nao gosta de homens carecas, ja me levou pra escolinha e eu fiquei berrando, e ela respondeu que quando eu casasse ia sarar, contava historinhas para crianças na rádio são lourenço, já escreveu dois livros de poesia... e um terceiro que ela só pode publicar depois que minha vó morrer, porque senão ela vai ser responsável pela morte da velha aehuioheaoiueahuioe
resumindo: minha TIA é um barato hehehe
BLOGANDO SOBRE A ÉTICA... OU FALTA DELA
DO CADERNO DE TRISTEZAS DA PIOR ALUNA DA TURMA
AFINAL, O QUE É A TAL DA ÉTICA? NO VELHO DICIONÁRIO QUE HERDEI DE MEU PAI, EM PÁGINAS AMARELADAS DIZIA QUE ERA RELATIVO À MORAL. E O QUE PODERIA SER A TAL MORAL? RELATIVO AOS BONS COSTUMES OU POSSO DIZER QUE BONS COSTUMES DEPENDEM DO PONTO DE VISTA? NÃO COMPARTILHAR É SER EGOÍSTA, TENTAR NÃO SER EGOÍSTA, TENTAR SER AMIGÁVEL, TENTAR CONQUISTAR ATRAVÉS DE GENTILEZAS É IMORAL? NÃO É ÉTICO? MEU DEUS, SERÁ QUE HITLER TAMBÉM PASSAVA O CADERNO PARA OS COLEGAS? SIM PORQUE HITLER ESCREVIA, PINTAVA... SERÁ QUE HITLER AGUAVA AS PLANTAS, CAPINAVA, LEVAVA O CUSCO PARA PASSEAR? SERÁ QUE FOI DESSA MANEIRA QUE ELE ARRANJOU TANTOS ALIADOS?
SORA, POSSO LER A REDAÇÃO DO ZINHO? PODE SIM, MEU FILHO, LÊ TAMBÉM A DA ANINHA, DA NENECA E DO OTACÍLIO, DEPOIS TU UTILIZA COM AS TUAS PRÓPRIAS PALAVRAS, AS IDEIAS QUE ACHASTE INTERESSANTES. ESCREVE SOBRE AQUILO QUE CONCORDASTE E TAMBÉM SOBRE O QUE DISCORDASTE. E ISSO NÃO É COLA, SORA? CLARO QUE NÃO, ISSO É PROCURAR REFERÊNCIAS SOBRE UM ASSUNTO QUE AINDA NÃO DOMINAS, MAS DEVES CONSTRUIR O TEU TEXTO E BUSCAR OUTROS ESCRITOS, NÃO SÓ OS DOS COLEGAS. SORA, O OTACÍLIO É EGOISTA, NÃO QUIS DAR A REDAÇÃO PRA EU LER E A BABACA, TAPADA DA NENA DA OUTRA TURMA DEU A REDAÇÃO DELA PRA TODO MUNDO E ELA COPIOU UM PEDACINHO DO JORNAL E NÃO COLOCOU ENTRE ASPAS E A SORA TIROU NOTA DELA E DEIXOU ELA DE CASTIGO NA HORA DO RECREIO, ELA FOI CHAMADA NA SALA DA DIREÇÃO E TEVE DE ASSINAR O LIVRO DE OCORRÊNCIAS, CHAMARAM ATÉ A MÃE DELA. BEM FEITO, EU NÃO GOSTAVA DELA MESMO... “CUÊ PUCHA... É BICHO MAU O HOMEM - DO CONTO “O BOI VELHO” DE SIMÕES LOPES.”
ESPELHO MÁGICO ESPELHO MEU, SERÁ QUE O HITLER É PIOR DO QUE EU?
O QUE DIRIA MEU PAI, O SENHOR H? FILHA, COLOQUE O SEU VESTIDO VERMELHO , AQUELE COM O DECOTE AVANTAJADO, AMASSE O CABELO, DEIXE BEM CRESPO, COLOQUE AQUELE PERFUME QUE PARECE TER SIDO FEITO PRA TI, NÃO ESQUEÇA O SEU BATOM, FILHA, TEUS LÁBIOS VERMELHOS SÃO UM CONVITE PARA O PECADO, FAÇA USO ... CRUZE AS SUAS PERNAS , QUE NÃO ENTENDO ATÉ HOJE PORQUE VOCÊ INSISTE EM ESCONDER E SEJA BURRA,
SEJA BURRA TODO O TEMPO
SEJA BURRA E SORRIA,
SEJA BURRA, MINHA FILHA, MINHA FILHA, JÁ DISSERAM QUE SEUS PEITOS SÃO LINDOS? SERÁ QUE ESTA TERAPIA ESTÁ SURTINDO EFEITO?
SEJA BURRA,
SEJA BURRA,
SEJA BURRA. GURIA, EU JÁ NÃO DISSE QUE TODO MUNDO É LIVRE. A ÚNICA COISA QUE NÃO PODEMOS É DEFENDER O NOSSO PONTO DE VISTA.
SEJA BURRA,
SEJA BURRA, AH, E EVITE TER SENTIMENTOS, TER SENTIMENTOS NÃO FICA BEM NA SUA IDADE EVITE SOFRER, APROVEITE E EVITE ENVELHECER, TAMBÉM E FIQUE LONGE DOS TRILHOS DO TREM...
SEJA BURRA,
SEJA BURRA,
SEJA BURRA, SEJA BURRA , SEJA BUNDA, SEJA BUNDA, SEJA BUNDA, SEJA BUNDA, SEJA BUNDA, SEJA BUNDA, SEJA BUNDA, SEJA BUNDA, SEJA BUNDA. NÃO FALE, NÃO DIVIDA, NÃO SE MANIFESTE, NÃO SE ENVOLVA, NÃO AME, NÃO SE PREOCUPE E... PORRA, DÁ PARA PARAR DE ESCREVER TAMBÉM? FILHA, VOCÊ É A MULHER MAIS FORTE DO MUNDO. SORRIA NA SALA E SÓ CHORE NO QUARTO PARA QUE EU NÃO PRECISE FAZER USO DO CAPITÃO MATAMORO . E LEMBRE DAS PALAVRAS DO ARTILHEIRO, LATERAL, MEIO DE CAMPO, ZAGUEIRO, ATACANTE E GOLEIRO: SER CORRETO NÃO É FÁCIL.
AFINAL, O QUE É A TAL DA ÉTICA? NO VELHO DICIONÁRIO QUE HERDEI DE MEU PAI, EM PÁGINAS AMARELADAS DIZIA QUE ERA RELATIVO À MORAL. E O QUE PODERIA SER A TAL MORAL? RELATIVO AOS BONS COSTUMES OU POSSO DIZER QUE BONS COSTUMES DEPENDEM DO PONTO DE VISTA? NÃO COMPARTILHAR É SER EGOÍSTA, TENTAR NÃO SER EGOÍSTA, TENTAR SER AMIGÁVEL, TENTAR CONQUISTAR ATRAVÉS DE GENTILEZAS É IMORAL? NÃO É ÉTICO? MEU DEUS, SERÁ QUE HITLER TAMBÉM PASSAVA O CADERNO PARA OS COLEGAS? SIM PORQUE HITLER ESCREVIA, PINTAVA... SERÁ QUE HITLER AGUAVA AS PLANTAS, CAPINAVA, LEVAVA O CUSCO PARA PASSEAR? SERÁ QUE FOI DESSA MANEIRA QUE ELE ARRANJOU TANTOS ALIADOS?
SORA, POSSO LER A REDAÇÃO DO ZINHO? PODE SIM, MEU FILHO, LÊ TAMBÉM A DA ANINHA, DA NENECA E DO OTACÍLIO, DEPOIS TU UTILIZA COM AS TUAS PRÓPRIAS PALAVRAS, AS IDEIAS QUE ACHASTE INTERESSANTES. ESCREVE SOBRE AQUILO QUE CONCORDASTE E TAMBÉM SOBRE O QUE DISCORDASTE. E ISSO NÃO É COLA, SORA? CLARO QUE NÃO, ISSO É PROCURAR REFERÊNCIAS SOBRE UM ASSUNTO QUE AINDA NÃO DOMINAS, MAS DEVES CONSTRUIR O TEU TEXTO E BUSCAR OUTROS ESCRITOS, NÃO SÓ OS DOS COLEGAS. SORA, O OTACÍLIO É EGOISTA, NÃO QUIS DAR A REDAÇÃO PRA EU LER E A BABACA, TAPADA DA NENA DA OUTRA TURMA DEU A REDAÇÃO DELA PRA TODO MUNDO E ELA COPIOU UM PEDACINHO DO JORNAL E NÃO COLOCOU ENTRE ASPAS E A SORA TIROU NOTA DELA E DEIXOU ELA DE CASTIGO NA HORA DO RECREIO, ELA FOI CHAMADA NA SALA DA DIREÇÃO E TEVE DE ASSINAR O LIVRO DE OCORRÊNCIAS, CHAMARAM ATÉ A MÃE DELA. BEM FEITO, EU NÃO GOSTAVA DELA MESMO... “CUÊ PUCHA... É BICHO MAU O HOMEM - DO CONTO “O BOI VELHO” DE SIMÕES LOPES.”
ESPELHO MÁGICO ESPELHO MEU, SERÁ QUE O HITLER É PIOR DO QUE EU?
O QUE DIRIA MEU PAI, O SENHOR H? FILHA, COLOQUE O SEU VESTIDO VERMELHO , AQUELE COM O DECOTE AVANTAJADO, AMASSE O CABELO, DEIXE BEM CRESPO, COLOQUE AQUELE PERFUME QUE PARECE TER SIDO FEITO PRA TI, NÃO ESQUEÇA O SEU BATOM, FILHA, TEUS LÁBIOS VERMELHOS SÃO UM CONVITE PARA O PECADO, FAÇA USO ... CRUZE AS SUAS PERNAS , QUE NÃO ENTENDO ATÉ HOJE PORQUE VOCÊ INSISTE EM ESCONDER E SEJA BURRA,
SEJA BURRA TODO O TEMPO
SEJA BURRA E SORRIA,
SEJA BURRA, MINHA FILHA, MINHA FILHA, JÁ DISSERAM QUE SEUS PEITOS SÃO LINDOS? SERÁ QUE ESTA TERAPIA ESTÁ SURTINDO EFEITO?
SEJA BURRA,
SEJA BURRA,
SEJA BURRA. GURIA, EU JÁ NÃO DISSE QUE TODO MUNDO É LIVRE. A ÚNICA COISA QUE NÃO PODEMOS É DEFENDER O NOSSO PONTO DE VISTA.
SEJA BURRA,
SEJA BURRA, AH, E EVITE TER SENTIMENTOS, TER SENTIMENTOS NÃO FICA BEM NA SUA IDADE EVITE SOFRER, APROVEITE E EVITE ENVELHECER, TAMBÉM E FIQUE LONGE DOS TRILHOS DO TREM...
SEJA BURRA,
SEJA BURRA,
SEJA BURRA, SEJA BURRA , SEJA BUNDA, SEJA BUNDA, SEJA BUNDA, SEJA BUNDA, SEJA BUNDA, SEJA BUNDA, SEJA BUNDA, SEJA BUNDA, SEJA BUNDA. NÃO FALE, NÃO DIVIDA, NÃO SE MANIFESTE, NÃO SE ENVOLVA, NÃO AME, NÃO SE PREOCUPE E... PORRA, DÁ PARA PARAR DE ESCREVER TAMBÉM? FILHA, VOCÊ É A MULHER MAIS FORTE DO MUNDO. SORRIA NA SALA E SÓ CHORE NO QUARTO PARA QUE EU NÃO PRECISE FAZER USO DO CAPITÃO MATAMORO . E LEMBRE DAS PALAVRAS DO ARTILHEIRO, LATERAL, MEIO DE CAMPO, ZAGUEIRO, ATACANTE E GOLEIRO: SER CORRETO NÃO É FÁCIL.
BLOGANDO SOBRE A DISTÂNCIA
DONA CIDALHA
Quando menina, se adoecia, a mãe sempre levava a gente na dona Cidalha. Ela benzia tudo: quebranto, sol na cabeça, encalho, cobreiro, sono invertido, espinhela caída, dor de dente e o que mais aparecesse. A benzedeira morava perto da gente, era um chalé cheio de frestas e de chão batido, com cheiro de sebo, picumã, de losna, catinga de mulata, arnica e alecrim. Tinha um fogareiro, imagens de todos os tipos de santos, uma cama e debaixo dela se enxergava um penico transbordando. Lembro da cortina feita de correntinhas de sacos de leite. Eu era especialista em fazer cortinas de correntinhas de sacos de leite. No fundo da casa da Dona Cidalha morava a dona Selvina, filha dela, que tinha um filho chamado Paulinho.
Um dia a mãe sonhou que a casa da dona Selvina tinha pegado fogo, nos contava o sonho na hora do café. Café era para meus cinco irmãos porque eu, por ser a mais nova, ganhava leite em um copinho cor de rosa e que tinha um canudinho. Enquanto terminava de contar o sonho, o Cotonho chegou todo esbaforido e anunciou que a casa da dona Selvina estava incendiando. E eu mamava, depois do copinho de leite, na teta da mãe... queria ter os poderes dela. A pobre morria de vergonha quando eu, despudorada, pedia a teta, sem me importar com quem estivesse por perto. Fizeram de tudo para que eu abandonasse o hábito: pimenta, bosta de galinha, mas nada adiantava. Com a boca ardendo eu corria para a casa da dona Cidalha e pedia para ela me benzer de “boca ardida” e ela, pacienciosa, fazia o benzido. Sentada no banquinho, observava a dona Cidalha dar de mamar para o neto e eu fazia aquela cara de “ será que sobra um pouquinho pra mim? A mãe não quer me dar...” A boa criatura me pegava no colo e deixava eu, esganada, infantil e glutona, sorver, aquilo que por direito, era do Paulinho. Quando a família descobriu o meu plano sórdido e maquiavélico, lançaram o último recurso... disseram que se eu continuasse a mamar na dona Cidalha ia “pegar preto”, ficar bem escura como o Paulinho, a Dona Selvina e a Dona Cidalha.... danaram-se... eu não tinha medo de “pegar preto” e, mesmo que tivesse... a fome era maior que a ideia de” pegar preto”. A própria dona Cidalha juntou-se aos tantos que não queriam que eu continuasse com meu inocente vício, ela mesma dizia: “minina tu vai ficá preta qui nem a noiti.” E eu respondia: “daí eu moro aqui, né? E visito lá, né?”
Com seis anos eu conheci o Birinha e corri para a casa da dona Cidalha para ela me benzer para parar de mamar e ela sorriu aquele sorriso generoso e desdentado e praticou a sua arte, a arte da boa benzedura e eu deixei de mamar e escrevi uma linda cartinha para o Birinha dizendo que era uma menina bem adulta, que ajudava minha mãe, e era educada. Ele me convidou para conhecer a coleção de gibis dele na hora do recreio, embaixo da escada. E a gente brincava no recreio e eu era a mulher mais feliz do mundo. Todos os dias eu levava alguma coisa para a dona Cidalha.
Hoje, tudo o que eu mais queria era encontrar a dona Cidalha e pedir um benzido que me tornasse invisível às pessoas crueis, um benzido que me afastasse dos falsos amigos, um benzido que me tornasse uma educadora corajosa e ética o suficiente para me posicionar com justiça, um benzido que arrancasse a menininha sensível que existe dentro de mim, um benzido que me ensinasse a calar, a ter sangue frio, até a hora adequada de me pronunciar, ou quem sabe, um benzido que me fizesse voltar a crer em algo superior, ou mesmo no ser humano, para que seja possível continuar neste mundo. Inútil... nem rastro da Dona Cidalha, nem da casa dela. Daquele tempo só me restou uma dúvida. Minha mãe teria mesmo sonhado com o incêndio, ou, por levantar mais cedo já era sabedora do fato e esta pequena mentira foi apenas uma maneira de se sentir importante naquela vida com a qual ela nunca sonhou?
Quando menina, se adoecia, a mãe sempre levava a gente na dona Cidalha. Ela benzia tudo: quebranto, sol na cabeça, encalho, cobreiro, sono invertido, espinhela caída, dor de dente e o que mais aparecesse. A benzedeira morava perto da gente, era um chalé cheio de frestas e de chão batido, com cheiro de sebo, picumã, de losna, catinga de mulata, arnica e alecrim. Tinha um fogareiro, imagens de todos os tipos de santos, uma cama e debaixo dela se enxergava um penico transbordando. Lembro da cortina feita de correntinhas de sacos de leite. Eu era especialista em fazer cortinas de correntinhas de sacos de leite. No fundo da casa da Dona Cidalha morava a dona Selvina, filha dela, que tinha um filho chamado Paulinho.
Um dia a mãe sonhou que a casa da dona Selvina tinha pegado fogo, nos contava o sonho na hora do café. Café era para meus cinco irmãos porque eu, por ser a mais nova, ganhava leite em um copinho cor de rosa e que tinha um canudinho. Enquanto terminava de contar o sonho, o Cotonho chegou todo esbaforido e anunciou que a casa da dona Selvina estava incendiando. E eu mamava, depois do copinho de leite, na teta da mãe... queria ter os poderes dela. A pobre morria de vergonha quando eu, despudorada, pedia a teta, sem me importar com quem estivesse por perto. Fizeram de tudo para que eu abandonasse o hábito: pimenta, bosta de galinha, mas nada adiantava. Com a boca ardendo eu corria para a casa da dona Cidalha e pedia para ela me benzer de “boca ardida” e ela, pacienciosa, fazia o benzido. Sentada no banquinho, observava a dona Cidalha dar de mamar para o neto e eu fazia aquela cara de “ será que sobra um pouquinho pra mim? A mãe não quer me dar...” A boa criatura me pegava no colo e deixava eu, esganada, infantil e glutona, sorver, aquilo que por direito, era do Paulinho. Quando a família descobriu o meu plano sórdido e maquiavélico, lançaram o último recurso... disseram que se eu continuasse a mamar na dona Cidalha ia “pegar preto”, ficar bem escura como o Paulinho, a Dona Selvina e a Dona Cidalha.... danaram-se... eu não tinha medo de “pegar preto” e, mesmo que tivesse... a fome era maior que a ideia de” pegar preto”. A própria dona Cidalha juntou-se aos tantos que não queriam que eu continuasse com meu inocente vício, ela mesma dizia: “minina tu vai ficá preta qui nem a noiti.” E eu respondia: “daí eu moro aqui, né? E visito lá, né?”
Com seis anos eu conheci o Birinha e corri para a casa da dona Cidalha para ela me benzer para parar de mamar e ela sorriu aquele sorriso generoso e desdentado e praticou a sua arte, a arte da boa benzedura e eu deixei de mamar e escrevi uma linda cartinha para o Birinha dizendo que era uma menina bem adulta, que ajudava minha mãe, e era educada. Ele me convidou para conhecer a coleção de gibis dele na hora do recreio, embaixo da escada. E a gente brincava no recreio e eu era a mulher mais feliz do mundo. Todos os dias eu levava alguma coisa para a dona Cidalha.
Hoje, tudo o que eu mais queria era encontrar a dona Cidalha e pedir um benzido que me tornasse invisível às pessoas crueis, um benzido que me afastasse dos falsos amigos, um benzido que me tornasse uma educadora corajosa e ética o suficiente para me posicionar com justiça, um benzido que arrancasse a menininha sensível que existe dentro de mim, um benzido que me ensinasse a calar, a ter sangue frio, até a hora adequada de me pronunciar, ou quem sabe, um benzido que me fizesse voltar a crer em algo superior, ou mesmo no ser humano, para que seja possível continuar neste mundo. Inútil... nem rastro da Dona Cidalha, nem da casa dela. Daquele tempo só me restou uma dúvida. Minha mãe teria mesmo sonhado com o incêndio, ou, por levantar mais cedo já era sabedora do fato e esta pequena mentira foi apenas uma maneira de se sentir importante naquela vida com a qual ela nunca sonhou?
terça-feira, 17 de agosto de 2010
BLOGANDO SOBRE O ABANDONO
NEGRO OSVALDO
Quando menina, havia nos arredores de minha casa Negro Osvaldo. Meu pai sempre o chamava para capinar o pátio e a mãe fazia um grande prato de comida, botava café em uma garrafa de coca cola e mandava um de nós entregar para o pobre. O pai não gostava que a mãe conversasse com outros homens, até para comprar na venda, geralmente ia o pai, mas se tivesse de ser a mãe ela ia... de cabeça baixa, porque era mulher direita... de cabeça baixa. Negro Osvaldo comia, recebia uns trocados de meu pai e depois de um "deus lhe pague" ia direto para o boteco do seu João. Todo mundo gostava dele na minha casa. Os vizinhos achavam que o Negro Osvaldo tinha de ser levado para um hospital e se curar do vício da bebida. O pai dizia que não, que se tirassem a cachaça do negro, ele morreria.
Um dia levaram o Negro Osvaldo para um hospital e ele parou de beber, andava limpo, asseado e falava com clareza. Pouco tempo depois se enforcou. Um dia, cevando um chimarrão, o pai, que falava comigo como se eu fosse um homem, me confidenciou: Negro Osvaldo fora casado, a mulher emprenhou de outro macho, mas ele queria o menino branquelo como se fosse dele. Um dia a mulher se enrabixou de novo pelo pai do branquelinho e se foi a la cria se esfregar no mesmo macho que a abandonara sem eira nem beira, com uma mão na frente e outra atrás, na rua da amargura, com uma cria na barriga e a vergonha na sarjeta. O pai disse que o branquelo berrava de fazer dó e atirava os bracinhos para o Negro Osvaldo, gritando : pai, pai... Depois disso o negro se atirou na vida, ficou dominado pela cachaça e vagava pelo mundo, fazendo pequenas capinas na casa de gente como a gente, dividindo os trocados que recebia: metade de cachaça e um saquinho de bala de hortelã pra guriazinha ali, aquela branquelinha e arteira como um moleque... era eu.
Quando menina, havia nos arredores de minha casa Negro Osvaldo. Meu pai sempre o chamava para capinar o pátio e a mãe fazia um grande prato de comida, botava café em uma garrafa de coca cola e mandava um de nós entregar para o pobre. O pai não gostava que a mãe conversasse com outros homens, até para comprar na venda, geralmente ia o pai, mas se tivesse de ser a mãe ela ia... de cabeça baixa, porque era mulher direita... de cabeça baixa. Negro Osvaldo comia, recebia uns trocados de meu pai e depois de um "deus lhe pague" ia direto para o boteco do seu João. Todo mundo gostava dele na minha casa. Os vizinhos achavam que o Negro Osvaldo tinha de ser levado para um hospital e se curar do vício da bebida. O pai dizia que não, que se tirassem a cachaça do negro, ele morreria.
Um dia levaram o Negro Osvaldo para um hospital e ele parou de beber, andava limpo, asseado e falava com clareza. Pouco tempo depois se enforcou. Um dia, cevando um chimarrão, o pai, que falava comigo como se eu fosse um homem, me confidenciou: Negro Osvaldo fora casado, a mulher emprenhou de outro macho, mas ele queria o menino branquelo como se fosse dele. Um dia a mulher se enrabixou de novo pelo pai do branquelinho e se foi a la cria se esfregar no mesmo macho que a abandonara sem eira nem beira, com uma mão na frente e outra atrás, na rua da amargura, com uma cria na barriga e a vergonha na sarjeta. O pai disse que o branquelo berrava de fazer dó e atirava os bracinhos para o Negro Osvaldo, gritando : pai, pai... Depois disso o negro se atirou na vida, ficou dominado pela cachaça e vagava pelo mundo, fazendo pequenas capinas na casa de gente como a gente, dividindo os trocados que recebia: metade de cachaça e um saquinho de bala de hortelã pra guriazinha ali, aquela branquelinha e arteira como um moleque... era eu.
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